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Cenário de um webjornal, no estilo TVeja.

APRESENTADORA ( uma mulher que lembra muito Joyce Hasselman): - Olááá... estamos aqui com nosso entrevistado de hoje, para nossa alegria, o sempre polêmico... Gay Talese.

TALESE: Olá.

APRESENTADORA: - Eu sou muito sua fã e gostaria já de perguntar como é assumir a homossexualidade já no nome? Tipo, já chego dizendo a que vim, né? Porque deve ser difícil, as pessoas têm preconceito e tal. Mas aí você jé chega e joga na cara da hipocrisia “eu sou gay. O Gay Talese. Me respeite”. Como é isso?

TALESE: - Bem, na verdade...

APRESENTADORA: - É como aquele bluesman Blind Lemon Jefferson. Ele é cego e diz até no nome que é cego. Quem é esse cantor? É o Cego Lemon, sem rodeios, sem disfarçar. O segredo é ser sempre verdadeiro, não?

TALESE: - Eu gosto muito de Blind Lemon, mas...

APRESENTADORA: - E o Fats Domino? O Gordo Domino, eu adoro. Eu adoro já chegar arrombando a porta do politicamente correto. Isso é coragem. Isso é o que todo mundo deveria ter coragem de fazer.

TALESE: - Ow, obrigado, eu fico...

APRESENTADORA: Lembrei de outro! Fats Waller.

TALESE: - Ou Little Richard, apesar de ele não ser pequeno.

APRESENTADORA: - Ou ainda Big Bill Broonze. O cara é grande tem que se chamar Big não é mesmo? Big Bill Broonze.

TALESE: - ...

APRESENTADORA: - E o que dizer da Tara Reid? “Vejam pessoal, eu sou tarada mesmo, por isso eu me chamo Tara”. Não é sensacional?!

TALESE: - Desculpe, minha senhora. Mas eu não sou gay. Este é apenas meu nome e ele não faz nenhuma referência à minha sexualidade.  Simples assim: eu não sou gay. Entendeu?

APRESENTADORA: - Nããããão... não é gay. O Gore Vidal que é...

Bem, este foi mais um Programa de Entrevistas (achar um nome). Eu sou ESTÚPIDA CONSUELO e voltamos amanhã nesse mesmo horário com mais um grande entrevistado.

 

FIM

 

02 - Ilustração para um texto de Luis Felipe Pondé sobre o filme Spotlight, moral e pedofilia na Igreja

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Escrito por Benett às 17h05
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Buckley vs. Vidal

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Se você gosta de você, você tem que separar 15 moedinhas de 1 real e investir no Netflix e eu não estou ganhando nenhum centado pelo merchandising, que fique claro, mas é que lá tem The Best of Enemies, o documentário sobre os dez debates para a rede ABC entre William Buckley Jr. e um certo Gore Vidal. Buckley Jr. foi editor da National Review à época dos debates e estava com os dentes devidamente ancorados nos sacos dos candidatos do Partido Republicano à presidência dos EUA, caras como Nixon e Reagan, que definitivamente representavam a filosofia de Buckley Jr. Coisas como "estado mínimo" e "apoio incondicional à qualquer guerra em que os americanos se metessem", bem como ódio a comunistas, nenhuma simpatia por negros e homossexuais, muito pelo contrário. Além, é claro, do amor à Cristo e ao dinheiro - não necessariamente nessa ordem.

Gore Vidal vocês sabem quem é. Escritor, milionário, homossexual, libertário, esquerda e membro do seleto clube de escritores jornalistas que fazem a cabeça de estudantes universitáriso, gente como Norman Mailer, Gay Talese e Tom Wolfe. E corajoso. Porque era preciso coragem e frieza para enfrentar a arrogância e o sorriso encantador de Buckley na frente das câmeras e para o país inteiro. Claro que Buckley jogava sujo. Mas Vidal venceu uma guerra de astúcia e cinismos no último round, com o sorriso mais sarcástico e maldoso que já vi na TV. Como? Bem, vocês terão que ver isso porque esse documentário diz muito sobre o caminho que o Brasil está tomando. Um caminho perigoso de ruptura - cujas diferenças começam a ficar escancaradas.

***

Djokovic pode vencer todos os jogos contra Federer para o resto da vida, mas ele nunca terá o charme e a delicadeza genial do suíço. O mesmo vale para Nadal.

 

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Escrito por Benett às 15h43
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Barata

Amok - em breve

Edir Macedo um delírio

Voltei a ler Richard Dawkins por causa de um documentário chamado Os Incrédulos (The Unbelievers), especialmente sua bíblia Deus um Delírio. The Unbelievers tem no Netflix, o canal que poderia substituir perfeitamente os pais e os professores na vida de uma criança. Dawkins é o cara que escreveu "se Jesus tivesse sido eletrocutado, as pessoas usariam miniaturas de cadeiras elétricas penduradas no pescoço", entre outras pérolas. Bem... acho que foi ele, mas pode ter sido Christopher Hitchens. Ao contrário de 99% dos religiosos, Dawkins é honesto. Intelectualmente honesto. Para mim é contraponto entre ciência e religião. A ciência não mente. A religião vive de mentiras.

Voltei a ser menos condescendente com a religião, estado em que Alain de Botton me jogou com seu compreensível Religião para Ateus, em que nos faz ver "o quanto a religião colaborou para a civilidade do ser humano". Oh, que lindas catedrais. Oh, que lindas óperas. Um dos argumentos prós é "se não fosse a religião não teríamos a Capela Sistina, por exemplo". É muito pouco comparado com genocídios, massacres e todo o tipo de opressão, mas estamos falando de arte. Ok, a religião financiou muitos artistas, mas... e se Michelangelo pudesse trabalhar criando o que bem quisesse, ao invés de arte-sacra? Isso é como dizer que a ditadura fez com que os cartunistas brasileiros criassem grandes charges nos anos 60 e 70. Bulhufas! A maioria das charges era uma merda.

De qualquer forma, antes a religião financiava Michelangelo e hoje... um filme duvidoso baseado em Os Dez Mandamentos. Nisso os muçulmanos levam vantegem sobre os cristãos: como o Islã não permite que se retrate Alá ou Maomé, estamos livres de filmes desse tipo.

Estive no cinema dia desses e tinham vários evangélicos procurando por ingressos para ver a "super produção" da Record. Eles vão faturar uma fortuna em cima de um produto que já foi pago pelos patrocinadores da novela.

Vi o trailer. A Record está para a Pixel como Ratatoing está para Ratatouille. Eu não veria essa versão nem se fosse dirigida pelo próprio Cecil B. Demille. Já posso imaginar os fiéis na sessão de Os Dez Mandamentos rezando uma oração antes do filme e entoando cânticos de amor a Edir Macedo no final, logo depois de ser passada a sacolinha. Triste exploração oportunista praticada por uma dúzia de espertalhões que, caso existisse Inferno, teriam cadeira cativa dentro de um forno de assar tijolos. Infelizmente Dawkins não chega até essas pessoas. Por falta de informação. Conhecimento. Interesse. Ou simplesmente má-fé. (Benett)

foto de Cintia Lemon, publicada em seu Twitter: @cintiann

***

Texto publicado em um fanzine da universidade (UEPG) sobre meu primeiro personagem, o Barata. Aliás, uma curiosidade sobre o nome: a tira era para se chamar Baraque está morto! Baraque era o nome de um cliente da locadora de vídeos em que eu trabalhava. Mas aí me convenceram a mudar porque iam achar que a tira era sobre o cara - ele era bem perigoso, se não me engano. Aí mudei para Barata. Mas o original era Baraque.

Barata Está Morto!

Não me lembro direito quando criei a tira Barata está Morto! Mas lembro que usei duas referências para construir o, digamos, conceito dela: o livro Malone Morre, de Samuel Beckett e uma tira em quadrinhos chamada The Angriest Dog, do David Lynch, em que os quadrinhos eram sempre os mesmos. Quando a gente tem 18 ou 19 anos somos pretensiosos e meio ridículos e não nos damos muito conta disso.

A série do Barata teria algo como 150 tiras mostrando os últimos instantes de vida de um sujeito com uma espada cravada na barriga. Seriam delírios sem sentido e lamúrias de um coitado que estava quase vestindo o pijama de madeira. A “piada” viria do fato de que ele sentia-se ansioso para morrer mas não conseguia.

Lembro que desenhei cada uma dessas tiras, na solidão e tristeza do meu quarto embolorado e mal iluminado no Sta Paula, pelo menos vinte vezes. Era um processo neurótico, qualquer traço fora do lugar me fazia amassar o trabalho e começar tudo de volta. Até o dia em que achei que tinha me tornado seriamente esquizofrênico. Eu estava enlouquecendo de verdade.

Então fui na biblioteca da UEPG e procurei alguns livros sobre o assunto. E acabei descobrindo um autor que desenhava gatos e gradativamente havia se tornado doente. E o resultado disso eram gatos cada vez mais psicodélicos. A tira da esquizofrenia (01) é dessa época e é uma homenagem à Louis Wein, o cara que desenhava gatos. Só não me perguntem o nome do livro. Não me tornei esquizofrênico, mas minha memória foi pro saco.

Essas tiras sobre morte e depressão (02, 03, 04 e 05) eram minha sensação de desespero da época, de não conseguir me livrar de um emprego deprimente numa vídeolocadora (é, existia isso nos anos 90) somada à distância enorme que eu teria de percorrer para conseguir publicar minhas tiras em jornal. O que acabou acontecendo em 1994, na Gazeta do Povo, pelas mãos do Valêncio Xavier.

Outra surpresa que encontrei no meio dessas tiras cretáceas foi a intromissão de um outro personagem biográfico, Carlos, o invertebrado (05). Era também sobre um emprego de merda, uma vida sexual de merda e uns dias de merda em que nada aconteciam.

Apesar de serem tiras com temas um tanto depressivos e pesados, olhando agora, penso que eu conseguia fazer tudo ter uma cara um tanto patética. No fundo, e para meu orgulho, acho que aquele sujeito que eu era vinte anos atrás, sabia bem o quanto era pretensioso e ridículo.


Benett



Escrito por Benett às 10h46
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Sonny

Consegui me livrar do Facebook mas não consegui me livrar desse blog - por enquanto.A boa notícia é que não estou mais no mode tirinhas de coração. Estou no mode Amok, porque vem livro novo esse ano. Tenho apenas 70 tiras - 40 delas ainda não desenhadas- e sinto que preciso urgentemente me empenhar nisso. Mas as tirinhas de coração ainda me fascinam.

 

Sonnet >>> https://www.youtube.com/watch?v=r2vGa-yLiso

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Escrito por Benett às 14h08
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Spike Lee X Tarantino

Que versão!! https://www.youtube.com/watch?v=V-6qGqFtHeY

 

Quentin Tarantino é irrelevante perto de Spike Lee, o cineasta negro que ele adora achincalhar porque Lee o acusa de achicalhar com os negros. Spike Lee não mente quando diz que Tarantino usa estereótipos dos negros em seus filmes - os maneirismos e o jeito como falam. Tarantino se ofende. Talvez porque Spike Lee tenha falado a verdade. Os personagens de Tarantino são todos criados em cima de estereótipos: mafiosos, traficantes, policiais, negros, japoneses, bandoleiros. Exagerados e charmosos, pop, enfim. Nada de novo, só reciclagem. O que não significa que não seja bom. Na verdade, são ótimos. Memoráveis. Para o cinema... mas irrelevantes para o mundo real. Os filmes de Tarantino só acrescentam alguma coisa ao cinema, ou melhor, ao entretenimento. Ao contrário de Spike Lee, que discute racismo de forma clara e direta e aponta para injustiças históricas e atuais. O nome da produtora de Spike Lee é 40 acres and 1 mule. Que é o que os escravos recebiam quando eram alforriados. Não que Tarantino não possa falar sobre assuntos como racismo. Ele só fará isso se for importante para a história, como em Django. Não é a dele ser um cineasta político.

Eu acho Faça a Coisa Certa  melhor do que todos os filmes de Quentin de Jackie Brown pra cá. É o Cães de Aluguel de Spike Lee. Com personagens tão perversos quanto os mafiosos de Reservoir Dogs, só que de carne e osso. O que quero dizer: os mafiosos de Cães de Aluguel são cruéis e facínoras, mas nós os amamos, porque só existem no cinema. Os personagens de Faça a Coisa Certa são humanos, pobres e contraditórios. E é impossível você gostar de qualquer um deles, porque eles estão em toda parte. Ao final de Cães de Aluguel você sai do cinema discutindo se Tarantino estava influenciado por Scorsese ou Operação França. Quando você termina de ver Faça a Coisa Certa você se pergunta se deve condenar os italianos ou os negros do bairro. Ou os dois. Ou nenhum, porque todos as pessoas têm direito de viver onde bem entenderem.

Eu adoro os dois diretores (como não amar Tarantino dançando junto com Uma Thurman e John Travolta?), porém acho injusta a escrotidão para cima de Spike Lee - que fez as mesmas críticas a Woody Allen. É como se dois de seus melhores amigos imaginários estivessem brigandos. Como se pode falar mal de alguém que fez Mais e Melhores Blues?




Escrito por Benett às 18h45
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Minduim

feliz 2016 pra você

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Minduim

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não consigo não atualizar isso...



Escrito por Benett às 22h05
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AMOOOOOOOOK

Tem site novo. É do Amok. E tem um blog. Vou ficar por lá, também:


http://tirasdoamok.com.br/




Escrito por Benett às 19h06
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??????????

Uma ilustração sobre o fim da Playboy - para texto do Luis Fernando Verísismo

Eu não sei se essa merda desse blog vai continuar, mas eu garanto que estou diariamente aqui

https://twitter.com/Benett_

bem, eu acho que sou eu. vai lá, enquanto isso aqui fica as moscas por mais uns dias.



Escrito por Benett às 14h59
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Escrito por Benett às 06h43
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Pomba

I Hope that don't fall in love with you > https://www.youtube.com/watch?v=JqV8mpTfBHc

O exato instante em que Jonathan Noel encontrou a pomba

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Escrito por Benett às 10h19
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Escrito por Benett às 12h58
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Merry Clayton

Merry Clayton, como não amar?


https://www.youtube.com/watch?v=3W3gGibx4kQ

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Não tem tiras novas porque não estou conseguindo desenhar mais tiras novas...



Escrito por Benett às 13h47
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Curtindo a Vida

ando com vontade de ler um livro do nick hornby...

https://www.youtube.com/watch?v=GxT_O2D8gdA

"Como podem esperar que eu vá para a escola num dia como este?" - Ferris Bueller, de Curtindo a Vida Adoidado

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Um desenho de coração feito pelo Jean

Esse diretor é o John Hugues brasileiro nunca será uma frase verdadeira porque não existe um diretor de cinema nacional que faça filmes como John Hughes. Eu gostaria muito mas não consigo imaginar algo equivalente. Não que eu morra de amores pelo John Hughes, mas ele conseguiu Curtindo A Vida Adoidado ( uma tradução que não ficou tão ruim, vá lá) que é realmente um grande filme. As vezes me pergunto se o personagem principal de Curtindo a Vida Adoidado é mesmo Ferris Bueller ou Cameron Frye, o alter-ego de Hughes. Pode ser o máximo clichê elogiar Curtindo... mas o filme é uma obra de arte tão importante quanto as obras de Pollock, Hopper, Picasso e Seurat que aparecem em closes generosos no filme. Verdade, não estou mentindo - apesar de exagerar um pouco. Bem, esse é o humor para hoje, algo meio John Hughes. Mas isso também é impossível pois n˜åo existe um cartunista que faça filmes como John Hughes.

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O que eu me tornei senão um cartunista de camiseta preta / lendo jornal / sentado na prancheta?



Escrito por Benett às 07h17
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Escrito por Benett às 12h50
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A Love Supreme

01 - Quem não ama Trane? Ou este disco, pelo menos?

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Oh, Darling >>> https://www.youtube.com/watch?v=6BDL1YX9UMs&list=PLVog4BzdT_hEmPflRO_mZ6YWjwJqSCmqk&index=4

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Escrito por Benett às 11h26
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