Não dá para enganar os leitores com tiras velhas. Adeus àos Hemingways... 
Ah é, Memórias de um Vira-Lata 
WARNING - Um texto com mais de 140 caracteres Na cara de pau, convidei um dos melhores desenhistas do Brasil para transformar esse texto numa longa hq. Aqui está apenas o primeiro capítulo, mas já tenho ao menos 9 capítulos prontos. Se ele não topar, talvez transforme isso em um pequeno post no Woofer. Para Ler Durante as Intermináveis Horas de Espera (título provisório) PARTE 1
Nenhuma pessoa podia dizer que a vida não havia sorrido para ele. No entando, como naquela tira do Adão Iturrusgarai, ela sorriu, mas estava sem 4 dentes da frente. Os dissabores e as pequenas batalhas cotidianas perdidas sistematicamente para o mundo, acabaram por torna-lo um recluso, um eremita escondido no quinto andar de alguma das centenas de torres de concreto no centro da cidade. Talvez o desconhecimento do significado de algumas palavrinhas mágicas, facilmente encontradas em qualquer dicionário escolar, tenham contribuído para seu exílio voluntário da realidade: coragem – convicção – caráter - segurança - felicidade. Sem isso, ele pensa, você vive menos tempo nas ruas do que um tigre sem garras numa floresta. Apegado aos habituais e convenientes subterfúgios da realidade, como música, cinema e literatura, criou um hobby divertido para iludir sua angústia, hobby que se tornou uma mania e depois uma obsessão e o que era fonte de inesgotável felicidade, transformou-se em um grande pesadelo: escrever a abertura de filme perfeita. Para ele John Hodge chegou próximo a perfeição, em Trainspotting: (voz em off de Renton) Escolha a vida. Escolha um emprego. Escolha uma família. Escolha a porra de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar roupa, carros, aparelhos de Cds e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e seguro dentário. Escolha novos pagamentos de hipoteca com juros fixos. Escolha um lar para começar a vida. Escolha seus amigos. Escolha roupas confortáveis e bagagens combinando. Escolha um terno completo de aluguel, numa variedade de tecidos horríveis. Escolha um Faça Você Mesmo, perguntando a você mesmo quem diabo é você numa manhã de domingo. Sentar no sofá assistindo programas esportivos que embotam a mente e amassam o espírito, enchendo a boca de comida de lanchonete. Apodrecer no fim de tudo, dando o último suspiro numa casa miserável, nada mais do que um embaraço para os filhos egoístas e degenerados que você gerou para que tomem seu lugar. Escolha o seu futuro. Escolha a vida. Eu escolho não escolher a vida: escolho outra coisa qualquer. E as razões? Não há nenhuma. Quem precisa de razões quando se tem heroína?
Heroína. O cinema era sua heroína. E as razões? Existem várias razões. Tudo era uma boa razão. Como numa tira do Laerte, nesse caso, o tudo e o nada eram iguais. Mas o nada era maior. E sua escolha já havia sido feita: ele havia escolhido não escolher a vida. (...)
Adeus aos Hemingways... 
Escrito por Benett às 18h47
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