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Blog do Benett


Desde os 4 ou 5 anos de idade eu não leio nada de super herois, mas continuo fascinado pelo Jack Kirby. Pra mim, o melhor e mais expressivo artista gráfico contemporâneo, junto com Crumb e, ah sim, o cara que desenha o Smilinguido.

Imagino como deve ser satisfatório para um diretor de cinema ou teatro, trabalhar com atores que superam suas expectativas e dão aos personagens que interpretam, aquela dimensão grandiosa que um roteiro bem escrito prevê. Tive uma fração dessa sensação quando, no sábado passado, estivemos fazendo as fotos para o segundo capítulo de O Mistério da Pin-up Escarlate. Os atores que convidei para participar da fotonovela foram simplesmente maravilhosos. Dos três, dois já haviam trabalhado como modelos fotográficos, Glauco Caruso e Rafaela Zen, e souberam criar os persongens muito melhor do que eu havia imaginado. Diferente de mim, eles não puseram simplesmente uma roupa e se deixaram fotografar. Não, eles criaram personagens de verdade, pareciam saídos de filmes. Foram de um profissionalismo que me deixou constrangido. Espero não estragar tudo com o roteiro. Serão 5 capítulos ao todo. A fotonovela é publicada pela revista Inventa! que já deve estar na gráfica a uma hora dessas.

A Pin-Up Escarlate

Glauco Caruso

Um texto sobre um padre herege/canalha que atua numa paróquia cravada no coração da TFP curitibana. Mais um roteiro não-sei-do-quê destinado ao esquecimento em alguma pasta obscura do meu desktop.

Filho: - Por que a gente tem que vir cedo? Por que não podemor vir na sessão da noite?
Mãe (ríspida): - Não é sessão que chama. Isso aqui não é cinema.
Filha: - Porque de noite a mamãe tem que beber uma garrafa de vinho, jogar cartas e ingerir conversas tóxicas com as amigas divorciadas dela.
Filho: - Mãe é hoje que você vai no clube das mulheres?
Filha: - Não, é na quarta, depois da novena.
Mãe: - Calem a boca os dois.

São quase 10 da manhã, a mulher e as duas crianças caminham o mais rápido que podem para chegar a tempo na missa de domingo. Vários carros estão estacionados no pátio da paróquia e um bom número de pessoas bem vestidas vem chegando a igreja. Acima do porta vemos escrito em letras góticas: Igreja da Alma Tradicional da Classe-Média Curitibana. O padre está na entrada, recepcionando os devotos. Uma típica velha germânica que encontramos em bairros como Batel e Água Verde, com cabelo pintado de loiro e roupas em tons dourados, confidencia ao padre:


Velha: - Que decepção, Deus está aceitando negros em Sua casa, agora?
Padre: - Sim, mas isso não significa que Ele os ame.
Marido da velha: - Espero que o dízimo para eles seja mais caro.
Padre: - Bem ainda são 10%, mas nós cobramos a hóstia e o aluguel dos bancos. Carminha???

O padrer se livra dos velhos e vai em direção à mulher e as duas crianças.

Padre (com um sorriso de verniz): - Carminha?
Carminha: - Oi. Vim buscar a pensão dos dois.
Padre: - Ã-han…fala baixo! Paciência, assim que devolverem a cestinha da coleta eu te passo o dinheiro. Menos 10%, claro.
Carminha: - Estarei rezando por isso.
Filha: - Oi, pai?
Filho: - Oi, pai?
Padre: - Olá…diabinhos. (continua…)



Escrito por Benett às 10h55
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What Kind a Fool?

Postei no Salmonelas minhas últimas charges

I need you, babe...

I say darling, darling, darling oh, my darling...vocês já ouviram Ann, dos The Meters? (ERRO: eu estava falando de Darling, Darling, Darling e não Ann)  Mamacita, como é bom! Acabei de colocar no repeat e está tocando pela sexta ou sétima vez. É como aquelas grandes canções de amor grudentas doo-whop, que uma pessoa com diabetes precisa de socorro médico se ouvi-la mais de uma vez. Ver um filme do W.C. Fields me fez bem hoje. É bom ver humor feito por um sujeito com inteligência até nos gestos. Ao contrário de Groucho, eu não falo bem de humoristas mortos. Exceto do Groucho. E ontem finalizei o segundo capítulo de minha fotonovela para a revista Inventa! - se chama Olhos Marejados de Sangue e foi uma das coisas mais incrivelmente divertidas que já fiz em minha vida. Sabe, estou começando a acreditar que meu negócio não é desenhar, é escrever. Escrever besteiras de humor. Tanto que, ganhei uma moleskyne. Sabe o que é uma moleskyne? Não, não é um tipo de tumor na moleira ou uma nova marca de bolacha recheada. É uma caderneta que escritores como Hemingway usavam no bolso interno de seus paletós, ao lado da garrafinha de uísque, para quando tivessem que anotar suas ideias geniais entre um tiro em um leão e uma tourada. Ei, duas tiras, um desenho e o Crânio Vermelho, uma espécie de coadjuvante de luxo da fotonovela. Sim, não há mais tempo para blogs, o Twitter tá ficando chato pra caralho e está cada vez mais difícil encontrar um lugar onde se possa comer um bom e verdadeiro macarrão com pesto nessa cidade.

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Escrito por Benett às 09h53
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Texto de João pereira Coutinho publicado na Folha de hoje:

Woody Allen, o elegante


Em um universo marcado pela ausência de Deus, restam aos homens banalidades



BRASIL(*), COMO eu te invejo! Leio na Folha que Rio e São Paulo se preparam para receber Woody Allen amanhã. Não o próprio, por enquanto. Mas a obra completa do próprio, mais de 40 longas, na retrospectiva "A Elegância de Woody Allen", no CCBB.
Sou suspeito. Escrevi texto para o catálogo, onde procuro traçar, brevemente, o pensamento filosófico de Woody Allen. Alguns acadêmicos fazem má cara com a pretensão e chutam Woody para as margens da filosofia "respeitável".
Perdoo-lhes, porque eles não sabem o que fazem: a filosofia não é coutada exclusiva de universidades e teses de doutorado. É possível pensar em imagens e com imagens.
E, no caso de Woody Allen, pensar os mesmos temas, oferecendo recorrentemente as mesmas respostas. Que são, confissão pessoal, os meus temas. E as minhas respostas.
O tema é clássico: qual o sentido da vida quando a morte e o esquecimento são certos? Não sei quando foi que a inquietação se instalou na minha cabeça pela primeira vez: teria uns dez anos quando a extinção se tornou clara e inevitável. E, com a certeza, o sentimento de frustração que vem e cobre tudo o que fazemos, sentimos, pensamos.
Eis o dilema que Shelley apresenta no seu poema "Ozymandias", a descrição de um viajante que se depara com a estátua do antigo faraó; e, na base da estátua, a inscrição plena de vaidade humana: "O meu nome é Ozymandias, rei dos reis:/ Contemplem as minhas obras, ó poderosos, e desesperai!".
Palavras ridículas e vãs. Milênios depois, quem desespera com as obras esquecidas do esquecido rei dos reis? Somos pouco. Somos nada.
Ozymandias aparece e reaparece, sob várias roupagens, nos filmes e nos personagens de Woody Allen. Umas vezes, de forma explícita: em "Memórias", o psicanalista explica que o seu paciente, interpretado por Woody Allen "lui même", sofria de "Melancolia de Ozymandias", uma incapacidade de apreciar a vida pela certeza da extinção final. Outras vezes, Ozymandias surge de forma pícara: será possível esquecer Mickey, o hipocondríaco de "Hannah e Suas Irmãs", que é salvo do torpor suicidário por um filme dos irmãos Marx?
O momento é epifânico. Não apenas em "Hannah...", mas na obra de Allen: num universo sem sentido e marcado pela radical ausência de Deus, restam aos homens banalidades mortais. "Banalidades", no sentido próprio do termo: as banalidades salvíficas que o personagem Isaac, em "Manhattan", debita para um gravador; os filmes dos irmãos Marx, é claro; mas também o talento desportivo de Willie Mays; uma sinfonia de Mozart; os filmes de Bergman; os romances de Flaubert; o rosto da mulher que amamos.
É pouco? Kierkegaard diria que sim: o "estádio estético" não garante o nível de realização humana que só o "salto" da fé religiosa permite.
Curiosamente, e nos últimos anos, Woody Allen tem refletido sobre essa hipótese: sobre os limites do estético. Ou, em alternativa, sobre a imperiosa necessidade de fundamentação ética. E não é por acaso que três dos últimos filmes ("Crimes e Pecados", "Match Point" e "O Sonho de Cassandra") partem da mesma pergunta arcana: num mundo sem Deus, tudo é permitido? Os três filmes, que a ignorância do tempo interpreta como repetições sem grande originalidade, devem ser vistos em conjunto. Porque eles vão adensando e amadurecendo uma resposta. Gradualmente.
Em "Crimes...", o personagem de Martin Landau mata e liberta-se da culpa com gélida indiferença.
Em "Match Point", sabemos que a sorte iliba o criminoso de uma condenação formal, mas não da condenação última intransponível e inegociável: a condenação da sua própria consciência, que será eternamente assombrada pelo cadáver da amante (Scarlett Johansson).
Finalmente, em "O Sonho de Cassandra", não há salvação possível: como no melhor da tradição rabínica, atos nefandos trazem apenas consequências nefandas.
Isso significa que Woody Allen, no final da vida, se reconcilia com a religião da sua infância? Não direi tanto. Evoluindo do "estádio estético" mas recusando o "estádio religioso", a posição de Woody Allen é uma posição secular, humanista e, ainda nas categorias de Kierkegaard, intermédia. Uma posição fortemente ética, que dispensa Deus mas nunca a consciência dos homens. Para um pessimista crônico, melhor é impossível.


jpcoutinho@folha.com.br

(*) - Por Brasil entenda-se Rio e São Paulo, claro.



Escrito por Benett às 13h03
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O Cérebro numa casca de noz


Deixe eu contar uma coisa para vocês agora, uma coisa que nunca contei a ninguém e talvez nem mesmo eu soubesse: eu sou hipocondríaco. Eu sou um cara bastante hipocondríaco. Hoje, consultando minha nutricionista, perguntei-lhe sobre ( essa partida de volei feminino está definitivamente tirando minha concentração) problemas de memória e que tipo de alimentação tenho que ingerir para evitar que meu segundo órgão favorito do corpo pare de funcionar antes do primeiro. Nós, homens, sabemos que, quando o primeiro pára, o resto não precisa mais necessariamente funcionar, mas esse é outro papo, não é disso que quero falar. O meu interesse é evitar senilidade precoce. Tenho medo, minha memória anda péssima e meu nível de atenção anda mais fugaz do que a memória de ( o que é o shortinho dessas meninas? A Uniban nunca poderá ter um time de volei feminino) um peixe de aquário.

Sabe, quando um amigo chega e me diz "cara, você precisa ver o tamanho das minhas hemorróidas, parecem tamarindos de carne" agradeço aos céus pela existência das fibras. Doenças, enfermidades, males, morro de medo de entrar na faca. Ou pior, a faca entrar em mim. Por isso, consulto com nutricionistas, tenho medo que comprimidos e drogas sintéticas me dêem efeitos colaterais, sabe, tipo pústulas, furúnculos, essas coisas com nomes e aspectos repulsivos.. Então, procuro saber que tipo de vegetal é preciso forrar o bucho para não ter esas m#rdas todas.

E para o cérebro, olha só, a cura está em noz mesmo. Sim, em nozes, a comida predileta do Tico e Teco. Percebam, a noz até parece um cérebro em miniatura, não acham? Alguns cérebros são
até menores do que uma noz. Mas, ei, não adianta comer um saco de noz hoje a achar que amanhã você será um Einsetein. Não é bem assim. Porém, (que nádegas!!!) é bem possível você esteja fazendo tico e teco realmente felizes. Ow, por Deus, porque os câmeras cortam os ângulos mais interessantes? Bem, é isso. Comam nozes, crianças. E deixem de lado esses pudins fedorentos de carne de porco.

Da Agência de Notícias ZongoComix, um recado de Matias Maxx:

"Salve! Salve Benett!!!!
Tamos lançando a Tarja #6 em Curitiba amanhã...
vc como colaborador tá INTIMADO a divulgar a exaustão!!!!
valeuzzz
[]s
Maxx"

Chance única de conhecer o Capitão Presença em pessoa, comprar uma revista e ganhar uma dose de uísque. É um jeito de você encher a cara de graça, já pensou o quanto você vai beber se comprar 10 exemplares? E ainda poderá dar risada das m#rdas que o Allan Sieber, Arnaldo Branco, Guazzelli, Jaca, Zimbres e um monte de outros caras (eu, inclusieve) desenharam. O convite? Aqui:

 

Under Construction (tenho um texto para por aqui mas não tá rolando tempo, saca?)


 

 



Escrito por Benett às 11h10
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Mr. Red

Acabei de descolar um desenho do Capitão América feito pelo grande Jack Kirby. Agora vou ampliá-lo e fazer um quadro bem grande para por na sala do meu apê. Por falar em Jack Kirby, ahn... posso estar dizendo uma grande besteira, mas nada me tira da cabeça que Bastardos Inglórios, do Tarantino, é uma típica história do Capitão América, de quando ele lutava na 2ª Guerra Mundial, ccontra sua versão nazista, o Caveira Vermelha. Claro, com um roteiro muito melhor do que o que Stan Lee poderia escrever. Em Cães de Aluguel percebemos duas evidências de que QuentinTarantino sempre teve o mundo Marvel como fonte de ideias: quando Tim Roth está decorando sua fala para impressionar Sr. Joe, Mr. White e Nice Guy Eddie em seu apartamento, vemos na parede um belo poster do Surfista Prateado. Em outro diálogo, o mesmo Tim Roth, ou Mr. Orange, descreve Mr. Joe como um cara "parecido com o The Thing" - o Coisa, do Quarteto Fantástico. E, como este é um texto de ideias desconexas e alguma lógica aparente, me sinto a vontade em dizer deliberadamente que o Caveira Vermelha sempre foi meu super vilão predileto. Gostaria de ter um poster dele na parede da minha sala, apesar de suas convicções políticas serem um tanto quanto controversas, para dizer o mínimo. Se bem que, as do Capitão América...


AMOK 01

AMOK 2




Escrito por Benett às 19h43
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As tiras...sempre na horizontal.


Ideia para um esquete de humor muito idiota:

Um cara de uns 35 anos constroi máquina do tempo e volta para encontrar seu eu de 19 anos e dar-lhe um murro na cara, por ter escolhido o jornalismo como profissão. Depois, ele vai até o futuro encontrar seu eu de 80 anos para dar-lhe outro murro na cara, desta vez por não ter construído uma máquina do tempo em tempo de impedir que ele se tornasse jornalista. Seu eu de 19 anos então resolve construir uma máquina do tempo e encontrar seu eu de 35 anos para revidar o soco, mas não o encontra e, como forma de se vingar, foge com a mulher dele. Ao voltar para casa, o cara percebe o que aconteceu e volta um dia no tempo, para esperar seu eu de 19 anos aparecer para roubar a mulher dele. Nesse meio tempo, seu eu de 80 anos decide construir uma máquina do tempo e volta para encontrar-se com seu eu de 35 anos mas não o encontra. Então, como vingança, o velho rouba a mulher dele e a leva para o futuro. Com raiva de tudo isso, a mulher do cara também constroi uma máquina do tempo e volta para encontar seu marido de 35 anos e dar-lhe um balaço no meio dos cornos. No final ela diz: - eu sabia que não deveia te casado com jornalista!. FIM

Não aguentei. Vi no Twitter isso e tive que colocar aqui:


Uh, um cara pulando!!!

The Murder Mystery

Engraçado, não tô mais a fim de desenhar tiras. Perdi o interesse, acreditam? Sei lá, espero que seja momentâneo. Bem, por outro lado, tenho curtido mais escrever. Textos de humor, claro. Mas não vou postar aqui porque, bem talvez eu deva resgaurdar mais minhas ideias, não? Ei, perceberam que Woody Allen virou o "judas" da vez? Os carinhas de "bigode irônico" e outros como Caetano Veloso, andam desancando o cara por aí. Bom, nada de novo. Quando eu trampava de balconista de locadora, a dona do estabelecimento, fã de um filme chamado A Rainha Sissi, com Romy Schneider, dizia que odiava Woody Allen porque ele "falava demais". Um outro cara, que idolatrava filmes de submarino -qualquer um, exceto O Encouraçado Potenkim e Caçada ao Outubro Vermelho- dizia que ele fazia filmes "muito cabeça". Esse cara, por sinal, vivia me pedindo posters e um dia eu o presenteei com um cartaz de Nut - Nasceu burro, não aprendeu nada e esqueceu a metade". Mas acho que ele não entendeu a piada.




Escrito por Benett às 14h54
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Oops, i did it again

Vocês sabem o que o niilista e o diabético tem em comum? Nenhum deles pode viver de sonhos.


Cry me a River


Baby baby, one more time...

Genie in the bottle




Escrito por Benett às 14h00
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Ufa, algo inédito aqui:

As mentiras que os cartunistas contam

Eu sei que ultimamente, sempre jogando a culpa na falta de tempo, tenho trapaceado o leitor ao publicar tiras não inéditas no jornal. Isso é horrível, me faz sentir muito mal, como se houvesse um crocodilo morto dentro da minha consciência e um grupo de mandrills dançando pelados em volta dele. No entanto, de todas as trapaças que um cartunista pode cometer, acredito que esta é a mais honesta, se é que isto é possível. Ao menos tento republicar as melhores e torcer para que ninguém lembre direito da piada, e sinta-se satisfeito em relê-la. Poderia ser pior. Vejam:

1- Eu poderia enganar o leitor simplesmente desenhando a primeira besteira que me vem à cabeça e dane-se a qualidade do trabalho. Isso seria imperdoável, não?

2- Eu poderia simplesmente pegar uma tira velha e alterar os diálogos. Segundo o Tiago Recchia, essa é a pior de todas as maneiras de trapacear o leitor.

3- Existe uma pior: eu poderia simplesmente copiar outras tiras minhas, num auto-plágio consciente e canalha. Isso seria como jogar um balde de esterco no café-da-manhã do leitor.

4- Agora o mais alto grau da sujeira: copiar tiras de outros autores ou simplesmente copiar piadas populares, e desenhar como sendo suas. Pena de morte para o fariseu que comete essa atrocidade.

Então, minha consciência fica um pouco aliviada quando confesso o crime. A falta de tempo talvez nem seja o fator determinante, mas sim a necessidade de tomar um fôlego, pensar em outros temas e atacar em outras frentes. Como a fotonovela, por exemplo. O trecho abaixo é de O Mistério da Pin-up Escarlate, folhetim detetivesco em 5 capítulos, publicado pela Revista Inventa.


Fellas, atualizei o Salmonelas e o Charges! Ou ainda, se você estiver se sentindo só e precisando de umas palavras acalentadoras, você pode ler inocuidades no Twitter.

Big White Dog

Ei, isso aqui anda ás moscas, não? Não, é claro que não. Só estou um pouco...ahn...empenhado com as charges, as ilustras e, vejam só, minha vida fora da internet!!! Claro que eu não tenho direito nenhum de sair do computador e da prancheta de desenho para...rá, que petulância: curtir a vida e as pessoas. Ow...continuo mais tarde, a bateria do computador está acabando e o cabo para ligar na tomada está muito longe e vejam, atualizei o Salmonelas e é isso vou indo antes q



Escrito por Benett às 16h54
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Revista Inventa

Na proxima edição da Revista Inventa, uma fotonovela policial com suspense, morte e macacos: O Mistério da Pin-Up Escarlate. Em breve...

Enaquanto isso, visite o blog da Inventa.

Sobre Porra Nenhuma

Descolei 5 dvds do Charlie Brown por 6 pilas cada. Cada dvd tem dois episódios e vou ver tudo hoje ainda, jantando salada com vinho branco.

Por falar em ver, ontem vi Bastardos Inglórios. Bom filme do Tarantino, mas não entendo porque algumas pessoas morriam de rir nas cenas de mortes e sangue. Por acaso o cineasta estava tentando parecer o George Romero? Por acaso eu não saquei que aquele era um filme B, estilo...Tomates Assassinos? Ouvi gargalhadas em algumas cenas de tiros. Em algumas pessoas, a predisposição para rir sempre é maior do que o motivo para rir. Agora vou comprar o livro para tentar aprender um pouco sobre roteiros.

Falar em livro, Saramago lançou obra sobre Caim, vocês devem saber. A saga dele e do irmão Abel sempre me pareceu a mais intrigante de todas, porque se alguém pode ser pior do que Judas ou Hitler sob o olha enviesado da História, esse alguém é Caim. Não deve existir uma estatística sobre, mas de todos os nomes bíblicos, Caim é o único que nunca nenhum pai deu a seu filho.

Por falar em estatística, acabei de ler O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow. A possibilidade de eu curtir a leitura era de 1 para 5, mas acho que...me encheu o saco, na verdade.

Já que tocamos no assunto, ficar bêbado é divertido de vez em quando e, foi nesse estado de consciência alterada, que resolvi um dos maiores enigmas da humanidade: como fazer um quadrado com um X no meio sem tirar a caneta do papel ou passar o traço duas vezes sobre uma linha. Me senti o Grigori Perelman dos puzzles inúteis.

Mais notícias a qualquer momento...

Não, não fui embora para o Twitter...

 

 



Escrito por Benett às 17h09
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Aqueles é que eram os maus tempos

Tomado pela abjeta nostalgia da infância, uma espécie de miragem mnemônica retroativa, resolvi rever o episódio "O Minotauro", do Sítio do Pica-Pau Amarelo, buscando sentir de novo, talvez, as mesmas sensações que sentia quando, na hora do almoço, com um prato de comida no colo, grudava a bunda no sofá para assistir as aventuras de Narizinho, Dona Benta e etc.

Aliado a uma obra de meu ídolo do momento, Monteiro Lobato, com atores ótimos e feitos num tempo em que programas infantis não se preocupavam com merchandising, mas sim com conteúdo, havia o pensamento, equivocado, de que "aqueles é que eram os bons tempos". Não tinha como ser uma experiência frustrante. Mas foi. Nada mais errado do que achar que o passado foi melhor que o presente. Por que, exatamente, achar que tênis Montreal, kichutes, sapatos vulcabrás e congas são melhores que os tênis com amortecedor de hoje? Que os Ataris eram mais emocionantes que os Wii de hoje, que os Fiat 147 são melhores que os carros de hoje, que a tv da época era melhor que a de hoje, eu realmente não sei. Uma coisa eu tenho certeza: nossa Telefunken era muito pior do que a que a tv que tenho aqui em casa, agora.

Sítio do Pica-Pau Amarelo é bom, muito bom. Mas é chato, arrastado e um tanto cansativo. É algo como se Andrej Tarkovski dirigisse A Era do Gelo. Foi decepcionante, como foi decepcionante rever um filme dos Trapalhões, espisódios da TV Pirata, SNL dos anos 70/80 e reler algumas histórias da Disney. Se você quer manter intocável os mitos de sua infância, deixe que eles atuem apenas na memória, como uma recordação distante e agradável de um tempo que foi divertido, por sua inocência, pura e simples. É inútil tentar sentir as mesmas sensações de quando você era um hobbit banguela e despenteado, basicamente porque aquela criança está morta, não existe mais. Deu lugar a um orc peludo e bebedor de cerveja.

Ainda sobre a infância, o melhor final de história em quadrinhos que lembro, é o de Pateta faz História como Galileu Galilei. Ele tenta provar que a Terra é redonda mas, no final, o desenho de sua nau chegando à ponta do planeta e caindo no espaço é genial. Só que não pretendo ler isso de novo. Vou deixar no formol da minha memória, por via das dúvidas. (Benett)

Promoção Ganhe Grátis um livro de 1,99.

Foto do vencedor, Felipe Alves com livro, a prova de que a coisa não era falcatrua.





Escrito por Benett às 10h40
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Ah, atualizei o Blog de Charges, ok? E também o Salmonelas...


work in progress...


How Deep Is The Ocean



Escrito por Benett às 10h02
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Quem ganhou um livro Benett Evapora! e um desenho excrusivo grátis? Foi difícil escolher. Eu gostei de muitas bobagens, como estas:

A mesa em que eu desenho está bamba, preciso de um livro pra deixar ela estável. - Saulo Barbosa

Eu deveria ganhar esse livro porque você não precisaria nem ir no correio pra me mandar e ele ficaria do lado de livros de Crumb e Shelton. - Yuri Al'Hanati

Quem tá fazendo essa promoção não é o Laerte nem o Angeli, que já são famosos e nunca jogariam fora grana desse jeito - Rafael Budni

Eu mereço ganhar o livro porque se não fosse por mim, você não saberia que o mesmo está sendo vendido por R$1,99! Me contento com 1 original. - Tiago Nepomuceno

Se vc não me der o livro eu te mato! - Felipe Alves Paiva

Eu deveria ganhar o Benett Evapora! porque o meu livro Formando Equipes Vencedoras do Parreira está se sentindo sozinho. - Rafael Farah

Eu nem gosto dessas tiras toscas desse benett,mal sei pronunciar se é "benê" ou "bênet", só quero o livro por que é de graça. Ass:Bolha. - Diego Hartkopf

Pra presentear alguém que fica atrás do monitor, acompanhando os devaneios de um artista disfuncional e contando cento e quarenta caracteres. - Thais Narjara Santos

Porque eu moro no Acre e você poderia se orgulhar de ter enviado um livro seu lá pra casa do caralho. - Chico Mouse

Porque no caminho pros Correios, a Scarlett Johansson vai esbarrar em você e vai dizer 'QUERO TE DAR AGORA!' - Chico Mouse

No mundo real (onde cartunistas não mandam nada) ganharia a pessoa mais bonita, rica e/ou sem escrúpulos. Logo, eu mereço! - Cynthia

Comigo vc não terá que passar raiva nos correios, basta deixar na portaria do meu prédio! hahahahha. - Danuta Leão

Porque se ficar esperando pela minha grana o livro vai evaporar. =/ - Thais Machado

Vc tem q ir nos correios porque não inventaram o tele transporte - Hernany Rabelo Dias

Considerando R$ 0,01 por caractere economizo R$0,59 a mais do que VC já economizou comprando por R$1,99. Investimento melhor q a Bovespa! - Erland Manys

Ó Benett Evapora, te quero na minha estante de livros, vou te ler todinho... E você, desenho original encartado, você nem imagina o que vou fazer com você!
Se você fizer isso! Ainda mais por causa do desenho original encartado!
- Carol Ribeiro

Eu gostei muito dessas duas aqui:

Porque sim! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! Dane-se Flanders! - Warley Oder

Porque Benett rima com chiclete que rima com patineti que
rima com maquete que rima com: Manda o livro pra mim, promete?
- Carol Ribeiro

Mas a vencedora é esta daqui:

Quero ganhar seu livro porque roubaram a minha bíblia! - Felipe Alves Paiva

Possível capa do próximo livro. Até eu enjoar dela. Queria algo ue lembrasse A Volta do Parafuso, não sei por quê.


 

 

 

 



Escrito por Benett às 14h32
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Im Very Ape and I Very Nice!


Um macaco nem sempre é apenas um macaco. Terminei de ler O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle e agora criando coragem para começar O Planeta dos Símios, de Will Self. Por incrível que pareça, o livro de Boulle é genial. Melhor que o filme que, por sinal, vou ver hoje a noite, numa sessão inteiramente dedicada aos símios. Como disse um amigo meu, a cena de um macaco num cavalo é brutal! Aliás, não são lindos esses cartazes de filmes dos anos 70? Vejam este:


 

Ah, sim, tem uma promoção rolando. Valem os e-mails recebidos até hoje a meia-noite. Tem duas pessoas com vantagem sobre os demais, só para avisar.

Drunk in Rio

Tem coisa mais clichê do que usar títulos de música e filmes em títulos de texto? Ainda mais Nirvana...mas enfim, ow...lembrei. Fotos do Rio, da festa na casa do Dahmer e tudo o mais. Mas antes, um quadro que eu gosto muito.

Um Cachimbo nem sempre é apenas um cachimbo

Ah, clássica últimas palavras:

"Não perco essa festa nem que duas gêmeas vikings me convidem para uma suruba".

Allan Sieber, meia-hora antes de ligar avisando que não iria na festa. Agora sim, as fotos...

00- O anfitrião e Fabio Moon.

01- Arnaldo (dormindo), Salimena, Dahmer e Josemando.

02 - Salimena e Dahmer já com olhares enviesados...

03- Rafaela (autora das fotos) e Fabio Moon.

04- Arnaldo, Mando, Tina e Gabriela

05- Pés...

07- O Hulk

08- Legendas by John Legend...

09 - O Casal também estava lá...

 

 



Escrito por Benett às 11h35
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Ei. Charges e Salmonelas atualizados!!!

Livro Grátis

Quer ganhar um livro Benett Evapora! autografado e com um lindo desenho original encartado? Mande um e-mail para benettomatic@gmail.com

dizendo-me, em 140 toques, porque eu deveria te dar um livro de graça, autografar, ter o trabalho de ir até a porra do Correio passar raiva na fila, e ainda por cima com um desenho original encartado???

A resposta mais original, divertida, interessante, ganha. Pode mandar quantas respostas quiser.

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Olá para aqueles que ainda se aventuram por este blog esguio e pegajoso. Não consigo atualizar esta espelunca simplesmente porque há uma reforma no meu apê, estou convivendo com sons de furadeiras, serrotes, martelos e a respiração de um pedreiro, dificultada por chumaços de pêlos medonhos obstruindo as narinas. Vejam vocês. Quando lancei meu livro Benett Apavora, o preço dele no dia do lançamento era de 42 pilas, se não me enganos. Na semana seguinte, estava 36. Dia desses, paguei 28 reais. Ontem, comprei por 1,99 na Fnac. Por que não venderam meu livro por 20 mangos, para evitar que eu entrasse no seleto grupo de autores deprimentes de livros encalhados? O fato é que comprei dois exemplares que estavam lá e pretendo sortear um deles aqui, sei lá, em alguma espécie de promoção. Algo como o primeiro que me der 500 reais ganha um livro, não sei. Enfim, tenho que ir agora. Marquei uma traqueostomia com uns amigos meus e estou meio que atrasado. (Bntt)



Escrito por Benett às 20h10
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AMOOOKKK

Well, atualizei o Salmonelas...e, ah, sim. E o Blog de Charges...

Era uma noite escura e tempestuosa...

Sábado estivemos numa simpática pousada no meio do nada, ou melhor, em São Luis do Purunã. Árvores e mais árvores, um lago, garoa, névoa, frio, a típica paisagem bucólica da região onde nasci (há uns 80 km do nada). Uma mistura de A Vila com A Bruxa de Blair. Plantamos ipês amarelos num campo imenso cercado por árvores que dão barba de bode (aprendi isso lá). As plantas ficaram ao lado de umas estacas com os nomes de cada um que plantou uma árvore. Como bem observou o cartunista Tiago Recchia, aquele cenário parecia um cemitério, ou algo que prenderia simbolicamente nossas almas por lá. Alguns mijaram um pouquinho nas calças, consequencia do calafrio que lhes subiu às espinhas quando ele disse aquilo.

Além de nós dois, plantaram suas árvores o Paixão, Pancho, Solda, Cristóvão Tezza, Dante, Sponholz, Miguel Sanches Neto, Marco Jacobsen, Thadeu Woiciechowsky e espero não ter esquecido nenhum nome. Quando vou para o Rio é inevitável sentir-me tentado a morar lá. Vocês sabem, aquele cenário é de uma exuberância covarde. Mas quando me deparo com lugares como este que vi em São Luiz do Purunã, penso que meu coração e minha alma pertencem ao lúgubre, ao pântano, ao viscoso, ao musgo, as salamandras e aos sapos. Um dia vou morar numa charneca.

 

P.S. - Não, não tinha névoa naquele dia.

P.S. 1- Alguns fantasmas do passado deixaram minha visão dessa região meio turva, mas aquele é um lugar lindo. Cheio de cânions, platôs e tudo o mais. Exceto pântanos. Talvez haja algum brejo, mas não pântanos.

Beautiful!




Escrito por Benett às 15h42
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