Anúncios Shopping UOL
Blog do Benett


I'm Not There

01


Carta do Laerte publicada ontem na Folha de S.Paulo

"O leitor Sérgio Nardelli se queixa ("Painel do Leitor", 5/2) da tira em que uma mulher é espancada. Não falo em nome do autor, Angeli, mas falo como autor. Se as obras precisam vir com todos os problemas resolvidos, os maus punidos e a justiça triunfante, para que são necessárias? É preciso dar algum trabalho ao cérebro e à sensibilidade. É claríssimo o sentido crítico não só da tira específica, mas de todo o trabalho do Angeli."
LAERTE COUTINHO, cartunista (São Paulo, SP)

Como resposta a esta carta do leitor, publicada no dia 05/02 no Painel do Leitor

"Enquanto o mundo combate a violência contra a mulher, a Folha, na edição de 26/1, nos brinda com uma tirinha em que uma delas é espancada (Ilustrada). Que tal uma agora em que o marido é preso e enquadrado na Lei Maria da Penha?"
SÉRGIO APARECIDO NARDELLI (São Paulo, SP)

Volta e meia recebo cartas de leitores indignados com as tiras que publico no jornal, normalmente por falar de "violência", "humor negro" e "sexo". Leitor que escreve para jornal em geral age como um inspetor de colégio, sempre pronto para entregar o cartunista para o diretor de redação. Que os jornais impressos perderam um número considerável de leitores nós sabemos, mas será que sobraram apenas os moralistas e conservadores, os que são incapazes de conceber a ideia de que uma tira, hoje em dia, se propõe a reflexões mais desafiadoras e questões mais críticas do que os apreciadores de Garfield e Arquibaldo e Sua Turma gostariam? Para um determinado tipo de leitor, o que não é aceitável social e moralmente (para sua moral e sua ideia de sociedade, claro) tem de ser soterrado debaixo de grossas camadas de recalque, e reprimido com tochas de fogo, foices e ancinhos em punho. E a obrigação do jornalismo é apenas passar o recibo, sem alterar uma vírgula de seu pensamento pré-concebido. Para esses leitores, as tiras e as charges têm de entoar o coro da repressão de valores e pensamentos conflitantes, de preferência com a imagem de gatinhos gordos e formiguinhas inocentes pregando a humildade e o amor no coração. Acho que o cartunista deve desafiar o leitor, ouestaremos condenados a nos tornar uma espécie de vaselina, que desenha apenas aquilo que o senso-comum determina, em troca de aplausos fáceis e de ver seu trabalho anexado em correntes de e-mails de conotação fascista e/ou religiosa. Um destino melancólico (e patético) para uma classe artística que já foi considerada intelectual e influente.

***

02 - Não curto muito colorir as tiras. Mas tem um jornal em Vitória-ES que compra a tira pela Pacatatu e publica colorida.

03





Escrito por Benett às 19h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Ei, folks. Atualizei o  blog de charges. Clica aqui!

Caminhos Perigosos...


Estava sem nada em mãos para ler por esses dias e resolvi dar chance a um livro grosso e pesado (indicado pelo Victor Folquening muito antes da Flip), que estava abandonado em minha estante e...puff: fez-se o milagre! O céu se abriu diante de mim e uma luz branca iluminou minha mente. Querubins pelados com trombetas douradas apareceram no alto e a voz do Senhor retumbou sobre meu sofá: "porra, até que enfim vai começar a ler Richard Dawkins. Olha, na boa, esse cara sabe das coisas". E não precisei de meia página para ficar extasiado com o senso de humor do sujeito. Olha como ele define o Deus do antigo Testamento: um delinquente psicótico.

Deus - Um delírio (Cia das Letras) é o melhor livro que li nesta década, superando até mesmo o delicioso Easy Rider Raging Bulls (ed. Intríseca), do Peter Biskind. Certamente, é a Bíblia do ateu convicto. Sabe, acredito que, se Robert Crumb tivesse lido Dawkins antes de desenhar seu Gênesis, tenho certeza que ele não teria feito aquele livro ahn...insosso que ele fez. Entendo que em seu caso "o autor é a mensagem", mas acho que ele poderia ter ido além. Mas se ele fosse além, algum fanático religioso certamente o mandaria fisicamente para o além.

Aposto como se Deus lesse esse livro, Ele se convenceria de Sua não existência e, sei lá, talvez estudasse para se tornar advogado ou contabilista, quem sabe.

Yeas, tiras:

01

02

03




Escrito por Benett às 12h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




01

02

Parte 2 - Daquela HQ que estou escrevendo

( Um jovem casal de mãos dadas com aquela felicidade juvenil do começo de namoro caminha rápido pelas ruas da cidade. Ela está com um vestido amarelo de bolinhas, meio cafona. Ele tem um mullet indecente, o que nos faz imaginar que esses dois pararam no tempo, mais precisamente no começo dos anos 90. Ela se chama Melinda e ele Melão )

Melão: - E você deu para ele?

Melinda: - Claro que não. Nunca se deve dar para o professor no primeiro dia de aula.

Melão: - Mas vocês estavam lá no apartamento dele, bebendo vinho, dançando pelados, tomando banho na banheira…

Melinda: - O pau dele era imenso e torto para o lado. Juro, juro por Deus. Juro pelo que há de mais sagrado: eu só bati uma pra ele…

Melão: - Argh!!!

Melinda: - Ah, e lembre-se, eu só tinha 9 anos.

Melão: - É…9 anos já tem discernimento para saber se quer ou não transar com um professor pedófilo de Moral & Cívica.

Melinda: - Tentei indicar para ele aquele livro O Deserto dos Tártaros, do Dino Buzzatti e ele me perguntou se era um livro sobre saúde bucal.

Melão: - Como ele seduziu  você?

Melinda: - Na verdade eu seduzi ele! Agora, eu não transaria com um cara que guarda os livros daquele jeito.

Melão: - Como assim?

Melinda: - Empilhados. Ele não deixa os livros em pé, um ao lado do outro. Ele deixa empilhado.

Melão: - Meu Deus, é melhor manter-se longe desse tipo de gente. Você sabe o que isso significa, né?

Melinda: - Sim. Foi o que eu fiz na hora. Peguei a grana de sua carteira e caí fora chorando. Menti que iria entregá-lo para a polícia.

Melão: - E o que você fez?

Melinda: - O que qualquer menina de 9 anos faria: fui tomar um sorvete!

( Agora eles estão chegando a um cinema. O letreiro diz Festival Martin Scorsese. O filme que eles irão ver é Cabo do Medo. Eles acomodam-se nas suas poltronas. Apenas alguns gatos pingados estão por ali. Na tela vemos Max Caddy sentado à frente da família de Nick Nolte no cinema. As cenas dos quadrinhos são idênticas às do filme. Melinda se abaixa para fazer sexo oral em Melão. No entanto, só o vemos de braços abertos nas poltronas. De repente, Max Caddy começa a rir. Melão também começa a rir. Nick Nolte se impacienta. Max Caddy ri mais alto. Melão faz o mesmo. Ambos estão agora gargalhando. A plateia começa a se revoltar. Melinda levanta a cabeça)

Melinda: - Vamos sair daqui, rápido!

(Agora eles estão no saguão, saindo do cinema)

Melinda: - O que foi aquilo?

Melão: - Ow... nada. Seu piercing…seu piercing na língua faz cócegas na cabeça do meu pau.

Fim da parte 2

Black Dynamite





Escrito por Benett às 09h08
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A volta das tiras ridículas - acho que vou me aposentar desse troço. Não tá dando certo...

Ernest Haeckl - os desenhos desse cara estão entre as coisas mais lindas que já vi


Travis

Mais Haeckl

One more...

 



Escrito por Benett às 13h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Once Upon a Time em Itapipoca

Títulos para posts são muito difíceis, realmente...Ow, sim, atualizei as charges deste blog. Vai lá!

0


Garoa e solidão é tudo o que a gente precisa para trabalhar bem. Ah, e um filme legal, como Arizona Dream.

01

Arizon Dream


02




Escrito por Benett às 18h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Tem coisas novas aqui: http://chargesdobenett.zip.net/

Tentando reaprender a gostar de desenhar tiras. Acho que é a chuva. E vontade de ver Arizona Dream, aquela cena do Jerry Lewis com um monte de carros velhos. E isso me lembra O Rei da Comédia. Jerry Lewis velho combina com tardes de chuva e frio, não sei porquê.

01

 Ahn...o problema de se ficar um tempo sem desenhar tiras (ou charges ou cartuns) é que você fica meio enferrujado. É como sexo, se você fica muito tempo sem, meio que esquece como faz...

02

03




Escrito por Benett às 16h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Mais Sobre Peanuts e o Sr. Schulz

Entrevista para o jornal O Tempo, de Minas. O assunto? Mr. Charles Schulz - e o lançamento do fabuloso livro da L&PM. Douglas Resende foi o autor da entrevista. Será que dá pra ler?

01

02

 

Acho que não. Segue a versão bruta dela:

    1. Antes de tudo queria saber qual é a sua relação com o peanuts. É uma pergunta talvez muito genérica, mas é porque ela é também muito pessoal, então teria que partir da sua memória mesmo.
    1.a Memória afetiva: suas primeiras lembranças como leitor.
    1.b Estética: que características lhe interessam nos traços do Schulz? E as habilidades dele como criador de personagens? E esse tipo de humor, meio deprê, autodepreciativo...? Enfim, um pouco de como você lê o Peanuts...


    Quando comecei a ler me identifiquei  de cara com o Charlie Brown, sabe, aquele perfil de perdedor angustiado, coadjuvante na própria vida, etc. Foi nessa época que vi pela primeira vez Sonhos de Um Sedutor e descobri subitamente meus dois heróis prediletos: Schulz e Woody Allen. Não foi a toa que o Arnaldo Branco me pediu para desenhar o SuperLoser. Eu tinha uns 15 anos e trabalhava de balconista (escravo) numa videolocadora. Minha vida não era das mais divertidas. Para quem não tinha grana para fazer análise, Schulz e Allen  foram duas mãos-na-roda.
Bem, logo em seguida caiu em meu colo  Apocalípticos & Integrados, o Velho Testamento dos antigos estudantes de Jornalismo. Ali tem um ensaio do Umberto Eco sobre Peanuts, que me fez entender melhor o que eu tava intuindo sobre a tira.


    Sou fascinado pelo traço econômico das tiras do Schulz. Observando aqueles cenários simples, com dois ou três elementos no máximo, gramado e árvore ou calçada e muro, aprendi que não precisa mais do que isso para compor uma cena, afinal, o forte mesmo é o texto - e substancialmente o contexto. Formatei meu desenho a partir desse princípio. Fora o fato de ele ter uma elegância que vem dos desenhistas dos anos 50, que usavam bico de pena, algo impensável na urgência de hoje.

    Peanuts não chega a ser depressivo. Ele atinge um estado de melancolia – cai num vazio existencial, mas não chega ao abismo. É mais um estado de resignação.  A angústia do Charlie Brown nos diverte como diverte a Lucy e, assim como ela, não deixamos de dormir por causa disso. São crianças doces, adoráveis, de cabeça redonda. Porém perversas, insensíveis e inseguras como as crianças reais. Essas tiras são o que Freud teria desenhado se fosse cartunista.

    Desde Snoopy, que não se conforma em ser apenas um beagle -ele precisa ser advogado, médico, Barão Vermelho- passando por um garoto emocionalmente dependente de um cobertor; ou outro que, imediatamente após tomar banho é acometido de poeira e sujeira, a galeria de personagens de Peanuts é a mais complexa e fascinante dos quadrinhos, além de ter algumas sacadas nonsense brilhantes. O que dizer de Spike, o primo do Snoopy que mora na solidão do deserto e conversa com cactos? Talvez só os Simpsons, muito depois, tenham conseguido, no mundo dos desenhos, tamanha diversidade de tipos e capacidade de de explorar suas personalidades.


    2. No seu blog tem muitas referências ao Schulz e ao Peanuts... Você diz inclusive que foi sua influência mais "incisiva". Mas como, na prática, isso se manifesta no seu trabalho? Você consegue identificar algum elemento específico do seu trabalho que seja herança? Acontece de você citá-lo conscientemente? E inconscientemente?

Tenho dificuldade em identificar elementos que não sejam de Schulz, na verdade. Minha tira é pura estética Peanuts, onde coloco o personagem sempre em primeiro plano e todo resto do trabalho ancorado no texto,  no discurso. Angeli também me influenciou,  mas ele vai mais para um olhar sobre comportamento. Eu, como sou um poço de incertezas, não me sinto com autoridade para fazer piadas sobre os outros. Só sobre meus próprios dilemas existenciais,  hehe. O inferno não são os outros. Sou eu mesmo.


    A influência

    3. Bom, talvez essa última questão também seja para ouvir de você algo como: o que Schulz e Peanuts têm a ensinar? É um trabalho que gera, alimenta, outros trabalhos? (Como dizia Vertov, "quero fazer filmes que gerem filmes...")


Ele certamente conseguiu isso, apesar desta não ser sua preocupação principal. O problema é que Peanuts é tão icônico que os demais correm o risco de serem apenas umapêndice do trabalho de Schulz. Como a tira Tigre, do Bud Blake.  Você precisa ser brilhante como Bill Watterson e Quino para escapar da armadilha. Sparkle mostrou ao mundo que os comics não precisam ser apenas um entretenimento fugaz e vazio de conteúdo. A partir dele, os desenhistas de tiras ganharam o status de autor, como Johnny Hart e Walter Kelly antes, e Bill Watterson e Scott Addams mais recentemente.


    5. Ah! isso seria interessante: como você lê essa fase, do primeiro volume? Já era bom o suficiente ali, no quase embrião? Você consegue situar essa primeira fase em algum tipo de evolução da tiras?


Era mais ingênuo, o desenho era limpo mas tinha um estilo menos pessoal. No entanto é possível perceber que havia uma abordagem mais perversa –para a época e para as tiras “infantis” – que o habitual. Charlie Brown desde a primeira tira não é muito querido pelos seus colegas e o estigma de fracassado o acompanha desde os primórdios. No segundo volume dá para perceber o desenho e o sarcasmo mais formatado, o início do que se veria no auge, dos anos 60 a 80.




Escrito por Benett às 15h36
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




I Saw My Baby In There!

Política não é a preferência de vocês, suponho, mas acabei de atualizar meu blog de charges e, bem, se vocês quiserem dar uma olhada nele, clica aqui!

No Meio do Nada

A ideia de fugir dessa infâmia chamada "queima de fogos" no reveillon parecia boa. A gente pegaria a estrada na quinta-feira, direto para a tranquilidade de um sítio no interior de São Paulo num carro grande e potente, e meu trabalho seria apenas o de não capotá-lo durante o trajeto. Saímos para estrada, Rafa eu e Mary quase cantando Good Morning Starshine de tanta felicidade, como aqueles hipongos de Hair (Treat Williams a serviço de Milos Forman, lembram?). Mas, claro, não contávamos com meu talento habitual para roubadas.

Bem, o fato é que o motor do carro ferveu, o volante travou bem no meio de uma curva a 120 Km por hora e por muito pouco eu não estaria atualizando esse blog através de uma mesa de Ouija. Paramos num posto de gasolina no meio do nada e ficamos tentando convencer o carro a ligar novamente. Um posto pirata, parece que saído de Wichita Falls, aquela cidadezinha de A Última Sessão de Cinema ( aquele filme do Bogda, lembram?) Como um monstro saído uma lata de graxa gigante, surge um mecânico idêntico ao personagem de Billy Bob Tornthon naquele filme do Oliver Stone, Reviravolta (Sean Penn, Nick Nolte, Jennifer Lopez, lembram?), só que um pouco mais sujo - e com a clara intenção de levar 500 paus de nossas carteiras pelo mínimo de trabalho possível.


Durante as horas que ficamos lá tentando resolver nossos problemas (umas 4 ou 5, por baixo), finalizei um roteiro para uma HQ cujo primeiro capítulo é este:


Parte 1

Dois sujeitos mal vestidos -com aspecto de mecânicos de beira de estrada- estão num fusca branco, velho, rasgando uma estrada deserta. O banco do passageiro não tem encosto e o cara que está sentado ali tem que segurar com as duas mãos no "putaquepariu" para não cair para trás. É noite e há um pouco de chuva. Só vemos silhuetas de árvores do lado de fora e os faróis de um ou outro carro em direção contrária. Vamos chamar esses dois sujeitos de A e B, por enquanto.

A: - Isso que você falou é uma grande e imensa besteira. Merece um prêmio. Não, uma estátua…uma grande estátua de merda: a maior merda já dita por um bípede desde que desceu das árvores e aprendeu a falar merdas.

B: - Ah, qualé? Só porque não concordo com o que você e sua suprema e iluminada sabedoria diz, eu sou um idiota? Tome no meio do seu esfíncter!

A: - Eu não disse que você é um idiota! Disse apenas que você falou uma grande merda!

B: - O que eu disse de tão errado?

A: - Você disse que cinema não é arte!

B: - Eu disse que cinema é uma arte menor e que eu prefiro literatura.

A: - Tá, agora me explique qual a unidade de medida para a gente ter a dimensão exata do que é uma grande ou uma pequena arte?

B: - Escute, você não pode comparar a complexidade e a profundidade de um livro com essas merdas americanas que você assiste.

A: - Merdas americanas? Isso é tão infantil! Parece que estou ouvindo um punk, estudante de jornalismo escritor de fanzines gritando contra o sistema (A dá uma gargalhada forçada que deixa B obviamente irritado)

B: - Você sabe, cinema é uma indústria de entretenimento, é uma grande engrenagem movida a dinheiro, movida a interesses, interesses de grandes e pequenos grupos, propaganda ideológica pura e simples. É a morte da arte, apesar de algumas exceções…

A: - A “morte da arte”. Você consegue perceber as besteiras que você fala? Você assistiu Ladrões de Bicicleta? Assistiu Sonhos? Esses filmes tem mais profundidade do que a boceta da sua mãe!

(Agora eles encostam o carro e descem para mijar na beira da estrada. O diálogo pára até eles voltarem para o carro, molhados. Um caminhão passa e buzina para eles. )

A: - (Para  o caminhão) Filho da puta!!!

B: - Bem…sim, esses filmes que você falou sim, mas estou dizendo que a estrutura não é uma grande arte. É uma indústria de produção coletiva, ela não funciona como um veículo de expressão artística individual.

A: - Merda tem em todo tipo de produção, ou você acha que todos os escritores são geniais como W. Shakespeare? Me diz uma coisa, você acha que Psicose é inferior a Paulo Coelho? São coisas tão distintas…

B: - Um filme nos dá uma visão única, fechada, exclusiva, acabada de uma história. Imagens e sons impostos, você apenas contempla. Não é como um livro que te permite imaginar e criar junto.

A: - Cara, cada vez que vejo um filme da Scarlett Johanson eu começo a imagina-la dançando com minha rola em sua boca ( Apenas A dá risada de sua piada ).

( Agora eles saem da estrada e andam por uma rua de terra, no meio da floresta )

B: - Um filme é apenas uma versão da história. Você viu e está ali, tudo mastigado. Nenhuma possibilidade de interação, passividade pura.

A: - Meu Deus, o que você está dizendo? Eu poderia socá-lo agora por blasfemar.  Raymond Chandler escreveu para o cinema, assim como Fitzgerald e Norman Mailer e, na boa,  mais uma besteira que você disser e eu largo você aqui mesmo.

( Eles param o carro num clareira, ao lado de uma árvore. O diálogo continua com a cena se desenrolando. Eles saem do carro, pegam capas de chuva amarela, abrem o porta-malas, pegam duas pás e tiram um cara de dentro, amarrado e com um saco na cabeça que vai até a cintura. Agora vemos uma cova debaixo da árvore)

B: - Para cada nome que você vomita do cinema eu te dou 10 escritores que os coloca no chinelo…

A: - Cara, você não tem mais 15 anos para ficar discutindo a validade ou o impacto ou o discurso ideológico do cinema. Cinema é cinema e pronto. Está aí, queira ou não ele existe e influencia a vida das pessoas, para o bem e para o mal.

B: - Ok, mas entre cinema e literatura, eu considero a literatura uma arte maior.

( O cara dentro do saco está em pé entre A e B. Parece aturdido, os joelhos meio dobrados)

A: - Ei, vamos perguntar para nosso amigo aqui o que ele acha. Escute aqui, ô palhaço. Você acha que a literatura é maior que o cinema ou não?

Cara Amarrado: - Bem, eu…pra mim os quadrinhos são maior e…

(A e B se olham, sacam suas armas e as esvaziam na cabeça do Cara Amarrado, que desaba dentro do buraco)

FIM da Parte 1



Escrito por Benett às 07h59
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Nunca sei se a década acaba no ano 09 ou no 10, o que sei é que essa década passou assim, como um estalar de dedos.  E num estalar de dedos, tento lembrar de alguns filmes que realmente me divertiram aos longo desses 10 entediantes anos. A seguir uma lista com meus 10 Filmes Favoritos da Década

01- Igual a Tudo na Vida - O melhor filme do Woody Allen desde 1991, pergunte ao Tarantino.

02- Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança - Jim Carrey num filme de Michael Gondry com um roteiro de Charlie Kaufman.

03- Os Excêntricos Tenembauns - Roteiro do Owen Wilson com Wes Anderson, um filme do tempo em que o Ben Stiller era um sujeito divertido.

04- À Prova de Morte - Tarantino com Kurt Russell num road movie só poderia resultar numa obra-prima.

05- Napoleão Dynamite - Talvez a única coisa que preste que Jon Heder fez.

06- Anti-Herói Americano - Harvey Pekar e Robert Crumb em carne-e-osso.

07- REC - O filme de terror mais medonho que vi nos últimos tempos.

08- Um Duende em Nova York - Sei que esse é o filme extravagante da lista, mas Will Ferrell estava muito engraçado. Muito mesmo.

09- Borat - A biografia não-autorizada diz que Sacha B. Cohen teve uma "leve ereção" quando Azamat sentou pelado em sua cara. Medonho...

10- Sideways - Paul Giamatti em seu melhor papel de todos os tempos junto com aquele galã decadente que depois virou o Homem-Areia.

Os que foram considerados e ficaram de fora: Todos os do Clint Eastwood, 21 Gramas, Dogville, O Chamado 1 e 2, O Âncora, Dias Incríveis, Quase Irmãos, Entrando numa Fria, Mais Estranho que a Ficção, Alta Fidelidade, Starsky & Hutch, Planeta Terror, Virgem de 40 Anos, A Inveja Mata, Cidade de Deus, Bastardos Inglórios,Trapaceiros, Dirigindo no Escuro e O Escorpião de Jade.



Escrito por Benett às 16h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




George Romero com Charlie Schulz

Quando os Mortos-Vivos invadirem Curitiba: Salmonelas

Nós amamos zumbis, não?

Das entranhas ensangüentadas do meu coração, que está funcionando perfeitamente bem - um cardiograma me mostrou isso na semana passada, acho que os zumbis deveriam existir mesmo, de fato, no nosso mundo, no nosso dia-a-dia. Não, não vamos fazer metaforizar e relacionar com pessoas que vivem na internet e blá blá blá. Estou falando de zumbis mesmo, como o singelo Corongo, que Carl Barks nos mostrou numa historieta do Pato Donald há 5 décadas ou aqueles caipiras sem noção saídos dos filmes do George Romero. Sim, vai ser algo desconfortável viver num mundo de zumbis, mas essa é outra história.

Por falar em George Romero, dia desses, depois de ver The Land of the Dead, se não me engano, fui dormir e custei um pouco a pegar no sono. Havia lido um livro do Charlie Brown e então tive uma daquelas ideias que as pessoas chamam de "ideia de jerico". Mas eu chamo de insight. Imaginei que seria legal cruzar os dois autores. Pensei tira que unisse George Romero com Peanuts. Sabe, vários personagens zumbis, todos vivendo num universo só de zumbis, com escolas, igrejas e cemitérios.

Não fui pesquisar no Google se isso já foi feito antes -provavelmente sim- mas resolvi tocar a ideia adiante do mesmo jeito. Já estou pensando num monte de tiras e devo começar a desenha-las em janeiro. A princípio, chama-se George.



Escrito por Benett às 14h06
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Em Clima de Natal

Ilustra que fiz para o jornal. O cara é o escritor/humorista português Miguel Estevão. O mais próximo que cheguei de desenhar o Batman, foi o morcego na camiseta dele.

Um minuto de silêncio...

Betcha I Getcha




Escrito por Benett às 15h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Terror e Odio na Manjedoura

Duas ideias resgatadas de meus arquivos secretos de ideias a serem resgatadas para um dia virarem tiras. São meio down. Mas como hoje não estou lá muito bem, resolvi botá-las no papel e publicá-las aqui.

01

Ilustra sobre resultado de vestibular

Terror e Odio na Manjedoura

Ontem vi uma cena digna de um filme do...ahn...Fellini. Enquanto a torcida do Coritiba saía do estádio cabisbaixa pelo rebaixamento do time, meninas com rosto pintado chorando, torcedores com a cabeça ensanguentada e tal, do outro lado da rua, simultaneamente, uma procissão com senhoras católicas com panos na cabeça e segurando velas acessas, entoando cânticos de Natal acompanhadas de crianças tocando violino, passava em frente do meu prédio, quase como um féretro fantasma e melancólico do que se passava no Couto Pereira. Eu tava vendo a hora em que alguns membros da Império Alviverde entrariam no presépio da Igreja e lincharia o Menino Jesus, só porque ele estava numa manjedoura com detalhes em vermelho e preto (as cores do Atlético Paranaense). Tschüs!

02




Escrito por Benett às 13h51
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Long Live to Charlie Schulz

De todos os desenhistas que me influenciaram -e são vários- acho que Charlie Schulz foi o mais incisivo. Hoje, enfim, está em minhas mãos o belo Peanuts Completo 1950 a 52. Depois de quase 5 anos sonhando em comprar a versão gringa da Fantagraphics e sem esperança de ver lançado uma versão em português, meu sonho se realizou. Oh, que piegas. Deve ser o espírito natalino...

Long Live to Robin Williams!

xxx

Somente ontem assisti a entrevista do Robin Williams no David Letterman ( ai, isso é tão "yesterday") e achei ele engraçado pra caralho. Já sabia que, longe dos filmes, ele era um cara divertido. Longe dos filmes, geralmente em programas como no Inside The Actor´s Studio, de James Lipton. Porque em filmes, logo me vem à mente Patch Adams e Uma Babá Quase Perfeita e tudo desmorona. Agora, acho que ele sacaneou mais com Chicago, dizendo que eles mandaram Michelle Obama e Oprah Winphrey do que com o Rio. Aí pensei, se a cidade escolhida como sede da Olimpíada fosse outra, qual estereótipo Robin Williams teria usado como fonte de piada para sacanear brasileiros?

São Paulo: Eles ganharam porque mandaram 50 travestis e meio quilo de crack.

Porto Alegre: Eles ganharam porque mandaram 50 veados e meio quilo de chimarrão.

São Luís do Maranhão: Eles ganharam porque mandaram 50 membros da família Sarney e meio quilo de  pêlos de bigode.

Curitiba: Eles ganharam porque mandaram o Oil Man e seu filho, conhecido como "o maior trapézio de Curitiba". Procurem pelos dois no Youtube e vocês entenderão do que estou falando.



Escrito por Benett às 14h36
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Incrível, incrível...nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Lembram da Porko Parade? Pois é, ela vai acontecer mesmo, um ano depois de sua criação. Só que dessa vez, fisicamente!!! Um bando de estudantes malucos resolveu colocar isso em prática. Quem articulou isso foi a Amelu, que além de ser uma sensacional sapateadora, é a garota que um dia fez um boneco do Amok. As fotos do evento serão publicadas no blog.

Exposição da Porko Parade e outras instalações legais dia 02/12 (quarta) na PROEX aqui em PG. Abre às 19h. Abaixo a foto do porco que em processo de nascimento.

 

Humor - Stand Up - Quadrinhos

Falar em eventos emocionantes...Hoje, na Fnac - Curitiba, estarei junto com Diogo Portugal e Tiago Recchia falando sobre humor nos jornais e no stand up. A partir das 19h30 entrada free. Talvez vocês encontrem pessoas escoliosas por lá, como esta figura acima.



Escrito por Benett às 13h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Desde os 4 ou 5 anos de idade eu não leio nada de super herois, mas continuo fascinado pelo Jack Kirby. Pra mim, o melhor e mais expressivo artista gráfico contemporâneo, junto com Crumb e, ah sim, o cara que desenha o Smilinguido.

Imagino como deve ser satisfatório para um diretor de cinema ou teatro, trabalhar com atores que superam suas expectativas e dão aos personagens que interpretam, aquela dimensão grandiosa que um roteiro bem escrito prevê. Tive uma fração dessa sensação quando, no sábado passado, estivemos fazendo as fotos para o segundo capítulo de O Mistério da Pin-up Escarlate. Os atores que convidei para participar da fotonovela foram simplesmente maravilhosos. Dos três, dois já haviam trabalhado como modelos fotográficos, Glauco Caruso e Rafaela Zen, e souberam criar os persongens muito melhor do que eu havia imaginado. Diferente de mim, eles não puseram simplesmente uma roupa e se deixaram fotografar. Não, eles criaram personagens de verdade, pareciam saídos de filmes. Foram de um profissionalismo que me deixou constrangido. Espero não estragar tudo com o roteiro. Serão 5 capítulos ao todo. A fotonovela é publicada pela revista Inventa! que já deve estar na gráfica a uma hora dessas.

A Pin-Up Escarlate

Glauco Caruso

Um texto sobre um padre herege/canalha que atua numa paróquia cravada no coração da TFP curitibana. Mais um roteiro não-sei-do-quê destinado ao esquecimento em alguma pasta obscura do meu desktop.

Filho: - Por que a gente tem que vir cedo? Por que não podemor vir na sessão da noite?
Mãe (ríspida): - Não é sessão que chama. Isso aqui não é cinema.
Filha: - Porque de noite a mamãe tem que beber uma garrafa de vinho, jogar cartas e ingerir conversas tóxicas com as amigas divorciadas dela.
Filho: - Mãe é hoje que você vai no clube das mulheres?
Filha: - Não, é na quarta, depois da novena.
Mãe: - Calem a boca os dois.

São quase 10 da manhã, a mulher e as duas crianças caminham o mais rápido que podem para chegar a tempo na missa de domingo. Vários carros estão estacionados no pátio da paróquia e um bom número de pessoas bem vestidas vem chegando a igreja. Acima do porta vemos escrito em letras góticas: Igreja da Alma Tradicional da Classe-Média Curitibana. O padre está na entrada, recepcionando os devotos. Uma típica velha germânica que encontramos em bairros como Batel e Água Verde, com cabelo pintado de loiro e roupas em tons dourados, confidencia ao padre:


Velha: - Que decepção, Deus está aceitando negros em Sua casa, agora?
Padre: - Sim, mas isso não significa que Ele os ame.
Marido da velha: - Espero que o dízimo para eles seja mais caro.
Padre: - Bem ainda são 10%, mas nós cobramos a hóstia e o aluguel dos bancos. Carminha???

O padrer se livra dos velhos e vai em direção à mulher e as duas crianças.

Padre (com um sorriso de verniz): - Carminha?
Carminha: - Oi. Vim buscar a pensão dos dois.
Padre: - Ã-han…fala baixo! Paciência, assim que devolverem a cestinha da coleta eu te passo o dinheiro. Menos 10%, claro.
Carminha: - Estarei rezando por isso.
Filha: - Oi, pai?
Filho: - Oi, pai?
Padre: - Olá…diabinhos. (continua…)



Escrito por Benett às 10h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Homem
Histórico
Outros sites
  Charges + Links
  Salmonelas
  On Twitter
  Charge-o-matic
  Benett-o-matic
  Ricardo Humberto
  Cadillac Dinossauros
  Victor Folquening
  Benett - MySpace
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?